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Botucatu (SP) tem um hospital exclusivo para animais selvagens
Notícias
12/05/2014 13h57
Botucatu (SP) tem um hospital exclusivo para animais selvagens

via ANDA

O Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas) da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) é referência e o único da região a receber animais dessa espécie. Anualmente eles atendem dois mil casos de animais atropelados ou doentes de todo o País. O atendimento não é limitado a uma simples consulta, na maioria das vezes é sinônimo de uma longa temporada. Há filhotes que chegam com um dia de vida e já estão com um ano e meio. Alguns são tratados na mamadeira até ficarem fortes o suficiente; o importante é mantê-los vivos.

O Centro foi criado em 2005 e, às vésperas de completar dez anos, busca uma estrutura adequada, comenta o criador, professor doutor de técnicas cirúrgicas do Departamento de Cirurgia e responsável pelo Cempas, Carlos Teixeira, chamado carinhosamente por professor Carlinhos. “Nossa estrutura é readaptada. Uma parte era um serpentário, os fossos onde tinham as cobras, como ele mudou para a Fazenda Lageado, nós pegamos essa estrutura. A outra parte era um antigo canil do biotério central. Como está proibido cães na didática, nós usamos também esse espaço. Estamos na expectativa de ser contemplados com uma verba de R$ 2 milhões para fazer a reforma. Fiz um projeto junto ao Fundo de Interesse Difuso (Fid) e nosso projeto foi selecionado. Não está aprovado. Vamos aproveitar toda essa área para o nosso serviço.”

Criamos o Cempas porque começamos a enxergar a necessidade de atender animais silvestres vítimas de acidentes. À época começou a aumentar muito este tipo de ocorrência, na minha opinião o avanço da lavoura, da monocultura fez com que eles tivessem que vir para mais próximo da cidade.”

O Estado de São Paulo tem uma malha viária muito grande. “A quantidade de rodovias é enorme, isso aumenta a probabilidade de atropelamento. Quando eles se aproximam das pessoas, entram em quintais de casas e acontecem os acidentes. Tivemos dois casos, um de lobo-guará e outro de tamanduá-bandeira que entraram em quintais de residência.”

O professor explica que, em época de acasalamento, os animais ficam no entorno das cidades. “Começam a andar mais à procura de fêmea. Os cães o acuam, alguns pegam os bichos e os machucam e os acidentes aumentam, o que justifica a criação do Centro”.

Centro recebe animais de todo o Brasil para serem tratados

Das quatro onças-pardas que estão no Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), uma veio de Ituverava, divisa de Minas Gerais, outras duas de Araçatuba. Já o macho veio do zoológico de Ilha Solteira. “Não é nascido lá, muito provavelmente a guarda ambiental o achou e levou para lá. Como eles não tinham condições de mantê-lo por lá, mandaram para nós”, comenta o professor doutor Carlos Teixeira.

O Centro atende o Brasil como um todo. O Estado do Rio Grande o Sul é o que menos envia animais para o Cempas. “Eles têm um hospital bem montado que absorve a demanda. Recebemos muitos animais do Estado de São Paulo e uma filhote de onça-pintada que nasceu no zoológico de Rio Branco. Já era a segunda cria que nascia com hidrocefalia, sintomatologia nervosa. O animal veio para estudo. Ela está viva e bem. Há dois anos que está no Zoológico de Sorocaba.”

Há casos de aves que caem nos quintais das casas e são surpreendidas pelos cães. “O cachorro corre atrás e elas sofrem lesões menos graves. O corpo de bombeiros captura e manda para nós. Nesses casos, fazemos os exames e tratamos. Assim que ficam bom, nós reintroduzimos imediatamente na natureza para evitar que fiquem muito tempo em cativeiro.”

Algumas aves apreendidas pelo Ibama também foram para pesquisas, segundo Teixeira. “Especialmente aquelas que estavam extremamente humanizadas e que não tinham capacidade de voo porque estão muito velhas ou que não podem mais fazer parte do programa de reintrodução.”

Teses

Um grupo de papagaios já rendeu sete teses. “Temos um protocolo anestésico para ave. Hoje dominamos altamente a técnica. O pessoal anestesia um beija-flor com a maior tranquilidade. Fizemos trabalhos de dosagem hormonal de estresse, acasalamento. Separamos o casal para ver o nível de estresse, de manejo. Produzimos conhecimentos.”

Um grupo de bugio, também liberado pelo Ibama, rendeu outras seis teses de protocolo de anestesia, tomografia, vascularização cerebral e outras. “Todo primata tem características próprias. Por exemplo, o bugio só come folha. O aparelho digestivo dele é diferente, próprio para absorver folhas. Uma pesquisa feita com ele pode ser adaptada e aperfeiçoada para o ser humano.”

O macaco roncador apreendido pela guarda ambiental é outro animal que ficou para pesquisa. “Eles não têm condições de voltar ao habitat natural, estavam sendo criados em uma jaula mínima. Tinham uns 15, eles acabaram cruzando e todos eram parentes, pai com filha. Tornaram-se uma subespécie.”

Esse animal tem uma característica diferenciada, que é uma cartilagem bastante desenvolvida; parece que ele tem um papo maior, mas é a caixa de ressonância. “Eles gritam muito alto. É característica dessa espécie que não era estudada. Fizemos ressonância magnética, tomografia e desenvolvemos conhecimentos dessa espécie. É um animal que briga pouco. A disputa dele é feita no alto da árvore no grito, dificilmente tem embate corporal.”

Animais vão para zoo ou reservas

Animais que sofrem algum ferimento, atropelados ou que ficam órfãos de mãe vão para o Cempas de Botucatu. Dependendo do tratamento a que são submetidos, ficam internados por meses ou anos e, depois da alta médica, vão para onde? O professor doutor Carlos Teixeira explica que o Centro não tem competência para fazer a destinação dos animais. “Eu disponibilizo os animais com laudo para a Secretaria do Meio Ambiente”. Ela é que vai determinar a nova casa do animal.

Porém, nem todos podem retornar ao seu habitat natural. Vai depender do grau de humanização. “Normalmente eles chegam filhotes e são criados na mamadeira e ficam mansos, o que significa que não poderão ser soltos. Tem uma onça aqui que oferece a cabeça para receber carinho, que lambe a nossa mão pela grade. Como vamos soltar esse animal que não tem medo do ser humano. Ele vai entrar em uma casa e pode até pode ser morto.”

Com o grau de humanização muito grande, o animal perde o medo do homem e se relaciona com comida. “Não que ele vai comer o ser humano, mas o homem para ele é sinônimo de comida, porque todos os dias o tratador dá carne para ele. O dia que soltá-lo, o animal sentirá o cheiro do homem e vai achar que alguém vai dar comida a ele, vai entrar numa casa e fatalmente será morto. Nesses casos a soltura é condenável. Tem onça que se soltarem é capaz de vir aqui na minha sala, de tão mansa.”

O destino dos animais com grau de humanização alto são os zoológicos ou reservas reservacionistas. “A secretaria procura um local para acomodar esses animais. Alguns ficam para pesquisa. Aqui temos 5 onças pardas internadas, 4 foram criadas na mamadeira e uma é aquela que foi atropelada. Tem um filhote de furão, uma capivara e um tamanduá-bandeira, todos na mamadeira.”

Das quatro onças, duas são fêmeas e filhotes. “Estamos aguardando um macho que vem da mesma idade para formar um terno. Esses animais vão para um programa de reintrodução. Vamos tentar readaptá-los para a soltura.”

Emoção

Depois de tratar por um longo tempo de um animal, muitas vezes pegando no colo e tratando na mamadeira, os residentes e o professor se emocionam na despedida. “Como administrador me sinto aliviado quando eles deixam o Cempas, porque estão, na maioria das vezes, curados, aptos a volta à natureza, mas sempre fica um apego, criamos uma afinidade com eles. Desenvolvemos um sentimento, apesar de sermos treinados para não se apegar muito.”

Residência em animais silvestres é pioneira

A residência em medicina veterinária na área de animais silvestre é um pioneirismo de Botucatu. “Hoje é um programa solidificado. Temos oito residentes trabalhando na área de animais silvestres. Fizemos um convênio com a Prefeitura de Sorocaba, onde mantemos quatro residentes no zoológico e quatro aqui. Eles trabalham em sistema de rodízio. Nosso residente sai daqui altamente capacitado para trabalhar em qualquer prefeitura ou zoo, qualquer manejo de animais silvestres.”

De acordo com o professor, a residência e a pós são marcas registradas do Cempas. “Mantemos aqui alguns grupos de animais para pesquisas. Elas têm que ter autorização e passar pela Câmara de Ética interna. Os trabalhos são realizados sem envolver eutanásia e sofrimento animal.”

As pesquisas são na área de comportamento, dosagem hormonal de tomografia computadorizada, ressonância magnética. “Através desses bichos que a gente aprende interpretar. Quando chega um bicho dessa espécie da natureza com uma lesão qualquer, temos o exemplo da imagem tomográfica. Sabemos qual é o normal, assim vamos saber identificar o que está anormal. Temos mais de 30 teses de mestrado e doutorado concluídas.”

Este mês a equipe de residentes e pesquisadores vai iniciar um trabalho na cidade de Palmital. “A cidade tem um bosque. Soltaram quati e macaco-prego lá e infestou a cidade. Isso está causando problema. O Ministério Público autuou a prefeitura para que faça um levantamento e talvez um controle populacional. É mais um serviço que o Cempas presta. Prestamos serviço para as prefeituras da região”, explica o professor.

 

Fonte: Jc Net

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