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Ex-treinador fala sobre sofrimento de focas em parque aquático
Notícias
29/05/2014 14h31
Vida e morte em cativeiro

via ANDA

Aos que ainda defendem os parques aquáticos e argumentam que os animais neles confinados não sofrem maus-tratos, nada melhor que a opinião de alguém que trabalhou em um deles. O ex-treinador de mamíferos marinhos, Philip Demers, fez um relato ao Huffington Post, contando um dos episódios que testemunhou quando trabalhava no Marineland, Canadá, ilustrando parte do que ocorre nesses locais.

Ele conta que, certa manhã, percebeu sinais no ambiente do parque indicando que havia ocorrido uma transferência de animais na madrugada anterior – período em que acontecia a maior parte das transferências. Encontrou o supervisor evasivo e silencioso. Procurou, então, o que chamavam de “caixa de sangue” – uma velha caixa repleta de agulhas, tubos de ensaio, álcool e algodão. Quando a caixa não estava no lugar, ele sabia que animais haviam chegado.

Nessa ocasião particular, o parque havia recebido cinco focas do Aquário de Vancouver. Resgatadas, reabilitadas e, por algum motivo, consideradas impossibilitadas de serem devolvidas à natureza, o aquário decidira enviá-las para o Marineland, para que fossem exibidas ao público. Junto com os animais havia uma documentação detalhando os seus nomes, características físicas, histórico de dieta e tendências de comportamento.

Rolo era um macho indicado como portador de distúrbio neurológico. “Suas pupilas estavam sempre dilatadas. Seu corpo convulsionava frequentemente, e ele tinha dificuldades para nadar e rastejar, além de ser também agressivo. Ele não teria chances de sobreviver na natureza”, relata Demers.

Squamish era a fêmea mais jovem. Gorda, porém delicada, ela era de longe a mais tímida do grupo. Tinha uma boca pequena e era “uma imagem da saúde”. Poppy, a princesa, ficou conhecida por ser suave como a seda. Os treinadores apelidaram-na de “Black Velvet” e, durante as sessões de treinamento, cantavam para ela músicas de Alannah Miles.

Curry, outra fêmea, foi descrita como “mal-humorada”. Ela se recusava a comer qualquer peixe em terra seca, preferindo roubar o peixe das mãos dos cuidadores e voltar para a piscina. Pepper era uma jovem e saudável fêmea. Infelizmente, Demers diz não se lembrar bem de sua personalidade.

Após aclimatação das focas ao seu novo horário de alimentação e ao programa de treinamento, foi decidido que elas seriam exibidas no aquário do Marineland. Construído em 1966, o aquário é um ambiente estático, composto de um pequeno palco com um castelo como cenário. A piscina é pequena, redonda e composta por vários painéis de vidro para visualização subaquática.
 
De acordo com Demers, manter equilibrada a química da água sempre foi um desafio para os funcionários da manutenção, e picos perigosos nos níveis de cloro e ozônio eram comuns.
 
Um incidente em particular tirou a vida de Pepper: “Lembro-me vividamente de seu sofrimento e morte subseqüente”, diz Demers.”Certo dia, encontrei Pepper letárgica, seca e recusando-se a comer. À medida que nos aproximamos dela, pudemos ver sangue escorrendo através de sua pele. Lembro-me de alguém inclinando-se e acariciando as suas costas. Seu pêlo caía em tufos em todos os lugares em que ela era tocada, revelando uma pele mais irritada e sangrenta.

Sua respiração era difícil e superficial. Nós desesperadamente removemos Pepper do aquário e a levamos de volta ao celeiro para tratamento. Uma vez lá, começamos a forçar para que comesse arenque congelado e injetamos antibióticos. Ela se contorcia de dor durante o procedimento, lutando arduamente para rejeitar o peixe. O procedimento mostrava-se inútil, uma vez que já era tarde demais para Pepper. Sua causa da morte foi explicada como envenenamento por ozônio.

Em poucas horas, os outros começaram a apresentar sintomas semelhantes. Ficou evidente que se tratava de uma situação de emergência. Um por um, nós levamos as focas de volta para tratamento, dessa vez evitando a alimentação dolorosa com peixe congelado e, ao invés disso, optando por inserir um tubo na garganta para facilitar o derramamento de alimento em seus estômagos. As focas começaram a responder lentamente ao tratamento, evitando por pouco a morte, apesar de terem sofrido danos permanentes”, conta Demers.

Uma vez recuperados, os animais foram devolvidos à arcaica piscina do aquário para viver o restante de suas vidas, desprovidos de qualquer luz natural e sem chance de voltar a experimentar sequer uma lembrança da liberdade. Hoje, Rolo, Poppy e Squamish têm pouca ou nenhuma visão remanescente, e a visão de Curry igualmente deteriorou-se. Cicatrizes profundas também permanecem em seus vários locais de injeção. Segundo Demers, em retrospecto, é difícil considerar que a decisão de Vancouver ao enviar as focas para Marineland tenha sido “um resgate”.

“Ao falar de nossas experiências, o Aquário de Vancouver (muito parecido com o SeaWorld e com o Marineland) rejeitou as preocupações e depoimentos de muitos ex-treinadores, sugerindo classicamente que tudo é uma mentira elaborada de ativistas radicais”, conta Demers.

A respeito da divulgação do caso feita por ele e seus colegas, Demers afirma que não foram contactados por quaisquer representantes do parque, nem os esforços deles para alcançá-lo foi respondido.

“R.I.P. Pepper”, escreve o ex-treinador no final de seu depoimento.

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